Suspeitos alegavam possuir acesso privilegiado a uma servidora do Judiciário e exigiam pagamentos em dinheiro para supostamente reverter decisões judiciais.
EDUARDA FERNANDES
DO REPÓRTERMT
A Polícia Civil investiga um grupo suspeito de obter R$ 150 mil de familiares de um condenado sob a promessa de conseguir a anulação de uma sentença judicial. O caso é alvo da Operação Falsa Vantagem, deflagrada nesta quinta-feira (25), em Cuiabá.
Conforme as investigações, os envolvidos afirmavam ter influência junto a uma servidora ligada ao Poder Judiciário e solicitavam que os valores fossem entregues em espécie, alegando que isso garantiria a reversão da condenação.
Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão contra pessoas apontadas como participantes do esquema. Entre os alvos estão um advogado, bacharéis em Direito, um policial penal e uma servidora pública do Judiciário.
Segundo a Polícia Civil, a exigência de pagamento em dinheiro teria como objetivo dificultar a identificação e o rastreamento da movimentação financeira. Apesar da promessa feita aos familiares, a condenação não foi anulada. As apurações indicam que houve apenas uma redução da pena aplicada ao condenado.
Insatisfeito com o resultado obtido, o beneficiário passou a cobrar a devolução da quantia paga ao grupo. Esse fato também está sendo investigado pelas autoridades.
A ação foi conduzida pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Os investigados podem responder por crimes como extorsão, exploração de prestígio, estelionato, corrupção e organização criminosa.
De acordo com o delegado Marlon Luz, responsável pelo caso, os mandados têm a finalidade de recolher aparelhos celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações e identificação de possíveis envolvidos.
Além disso, a Polícia Civil busca esclarecer a estrutura do esquema, verificar há quanto tempo ele estaria em funcionamento, identificar outras possíveis vítimas e apurar se a prática ocorria de forma recorrente.



