A Polícia Civil revelou novos detalhes sobre a atuação da organização criminosa alvo da Operação Módulo Oculto, deflagrada nesta quarta-feira (12) pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (DERF) de Sinop. Segundo os delegados Thiago Berger e Lucas Pereira, donos de oficinas e receptadores participavam diretamente do esquema, que envolvia furtos, revenda de módulos eletrônicos e até a cobrança de dinheiro das próprias vítimas para devolver os equipamentos.
A operação cumpriu 13 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão, além de determinar a suspensão das atividades de quatro empresas. A Justiça também autorizou o bloqueio de 22 contas bancárias, com valores de até R$ 11 milhões, e o sequestro de quatro imóveis e 13 veículos ligados aos investigados.
De acordo com Thiago Berger, a investigação começou no ano passado, depois que alguns suspeitos de furtar módulos foram presos. A partir dessas prisões, os investigadores passaram a concentrar esforços na identificação de quem recebia e comercializava os equipamentos.
O delegado explicou que os furtos eram praticados em diferentes pontos da cidade, incluindo estacionamentos, vias públicas e pátios de empresas. Os suspeitos circulavam durante o dia, principalmente de motocicleta, para identificar caminhões que poderiam ser alvos. Na madrugada, retornavam aos locais para retirar os módulos.
A DERF estima que, em média, um módulo seja furtado por dia em Sinop, o que representa aproximadamente 30 equipamentos por mês.
Segundo Berger, quatro empresas foram identificadas como locais utilizados para receber os módulos furtados e posteriormente repassá-los para outros compradores. A investigação também apontou que equipamentos retirados de caminhões em Sinop eram enviados para outras cidades e estados, incluindo Cuiabá, Pará e Roraima.
Um dos principais receptadores, conforme o delegado, tinha participação direta nos furtos. Além de receber os equipamentos, ele teria orientado os executores sobre as ferramentas e a maneira correta de retirar os módulos sem danificá-los. Em alguns casos, ainda teria encomendado modelos específicos.
Outro esquema identificado foi o chamado “resgate” dos módulos. Conforme a investigação, vítimas que procuravam oficinas para substituir os equipamentos furtados acabavam descobrindo que o próprio módulo estava em poder dos criminosos.
Nesses casos, os responsáveis pelo esquema informavam quanto a vítima deveria pagar para recuperar o equipamento. Assim, o proprietário acabava comprando de volta uma peça que havia sido furtada do próprio caminhão.
O delegado explicou que a prática era possível porque um módulo novo pode custar entre R$ 35 mil e R$ 40 mil. Os criminosos, segundo a investigação, vendiam os equipamentos furtados por cerca de R$ 3 mil aos receptadores, que posteriormente revendiam as peças por aproximadamente R$ 9 mil.
Lucas Pereira destacou que o crime exige conhecimento específico de mecânica, já que os módulos precisam ser retirados dos caminhões sem sofrer danos. Segundo ele, esse conhecimento técnico também ajudava a identificar quais equipamentos poderiam ser retirados e comercializados.
A investigação apontou ainda que alguns integrantes do grupo utilizavam armas de fogo durante as ações. Conforme os delegados, o armamento era usado principalmente para garantir a fuga e evitar uma possível reação de proprietários ou outras pessoas que encontrassem os criminosos durante os furtos.
Os investigadores ainda realizam o levantamento dos módulos encontrados durante a operação e analisam o material apreendido. A expectativa é de que novas informações sejam obtidas a partir da perícia nos equipamentos, documentos, celulares e dados financeiros recolhidos.
Thiago Berger afirmou que a operação representa apenas a primeira etapa das investigações. Outros furtadores e empresas que possivelmente estariam envolvidos no recebimento e comercialização das peças já foram identificados.
A Polícia Civil informou que novas fases poderão ser realizadas para responsabilizar outros integrantes do esquema e empresários que tenham se beneficiado da comercialização de peças provenientes de furtos.
Por: Top Sinop



