Governador afirma que órgão federal “castiga” população, mas projeto de retaludamento estava autorizado desde 2024; Estado abandonou solução para construir túnel
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) responsabilizou o Ibama pelo impasse envolvendo as obras no Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. Pivetta classificou a situação como um “castigo” para a população e afirmou que o Estado aguarda uma licença federal para iniciar a construção do túnel.
A declaração, porém, deixa de fora um ponto importante: o Governo de Mato Grosso já tinha uma solução autorizada pelo Ibama para o local.
O projeto de retaludamento, que previa intervenções na encosta para estabilizar o maciço rochoso, recebeu a Licença de Instalação nº 1.489/2024 em junho de 2024. Neste ano, o próprio Ibama afirmou que “não há qualquer impedimento para a implantação do projeto já aprovado”.
Estado desistiu da solução licenciada
Foi o Governo de Mato Grosso que decidiu abandonar o retaludamento. Em 2025, após novos estudos sobre as condições geológicas do local, o Estado desistiu da intervenção e passou a defender a construção de um túnel como solução definitiva.
Com a mudança, uma nova análise ambiental tornou-se necessária. A licença concedida pelo Ibama autorizava o retaludamento, não a construção de um túnel dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães.
O novo projeto foi encaminhado ao órgão federal e passou por alterações posteriores. Em julho de 2026, o Ibama informou que analisava a nova proposta apresentada pelo Estado.
Portanto, embora Pivetta atribua o atual impasse à falta de uma licença federal, o Ibama já havia autorizado uma solução para o Portão do Inferno. O Estado optou por não executá-la, mudou o projeto e, agora, precisa obter uma nova autorização ambiental para tirar o túnel do papel.



